domingo, abril 03, 2011
Dói. E agora?
E agora?
Estamos na encruzilhada!
Estarrecidas nos olhando!
Ambas se perguntando...
Até quando?
Não faz sentido o que você me diz.
Sua dor, tão real, tão presente...
A dor que ninguém entende.
Ninguém palpa.
Exame nenhum detecta.
Meu pensamento dispersa.
O que você diz simplesmente não faz sentido...
Você me percebe.
Sente que não valorizo sua dor.
Mas ela é real, para você!
Pego minha caneta.
Já sabemos onde vamos chegar.
Já é tarde...
Queria poder dormir.
Você não consegue dormir.
Não se pode esperar muito de alguém privado de sono.
Lembro que privação de sono era uma forma de tortura.
Penso no dia que está por amanhecer...
Uma breve inquietação...
Espera, será até irritação?
Olho para você...
Você não tem nada!
Grito em silêncio...
Seus cansados olhos me encaram...
Você me fala sem falar, mais um médico que não sabe nada!
Lembro a caneta em minha mão.
Balanço a cabeça.
Prescrevo um analgésico qualquer e um calmante.
Resignada pega a folha de papel.
Me diz, esse remédio não me faz bem.
Sem energia para tentar entender o que já não consigo entender, mudo as letras.
Um sorriso sem graça.
Quando a porta se fecha...
Suspiro... alívio?
Imagino que seria tão mais fácil...
Uma cólica renal!
Meu superego aguçado!
Punindo meus pensamentos!
Abro seu prontuário.
A mesma dor ali estampada.
Interpretada por vários.
Inúmeras consultas, diferentes horários.
Um registro com a hora circulada...
Três horas da manhã.
Um sorriso surge maliciosamente e sem controle.
Alguém para dividir minha culpa.
Penso sobre a dor.
Reviso seu trajeto...
Seus receptores, seus minuciosos caminhos pela medula espinhal...
Tálamo e sua conscientização no córtex cerebral.
Falta algo?
Me sinto cansada...
Lembro de Drummond.
A conexão que faltava.
O sistema límbico disparando frenéticamente.
A emoção misturada.
A somatização da dor.
Será ela negligenciada?
Ou será a dor incurável?
Cronificada, enraizada na alma.
Perpetuada pelo nosso não saber tratar.
Mas eu entendo...
"A noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou.
E tudo fugiu e tudo mofou.
E agora, José?"
Dói. E agora?
Escrevo...
Hipótese diagnóstica: dores do mundo.
Conduta: reticências.
sábado, março 12, 2011
O Menestrel - William Shakespeare
(Assista: http://www.youtube.com/watch?v=vlLh8K6FF8A&feature=related)
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se.
E que companhia nem sempre significa segurança.
Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se.
E que companhia nem sempre significa segurança.
Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
domingo, janeiro 23, 2011
A Medicina Perdida
Uma tarde como outra qualquer.
Um plantão movimentado.
Início da minha vida médica.
O telefone toca, venha até a Emergência!
Agarro meu estetoscópio, coração acelerado.
Sim, o medo, reflexo da minha inexperiência.
Uma senhora em franca insufiência respiratória.
Uma bactéria se alojara confortavelmente em seus pulmões.
Brincando e multiplicando-se no debilitado organismo de quase 80 anos.
Nos olhamos, assustadas.
Coloquei meu estetoscópio em seu peito, que lutava para respirar.
Olhava para o monitor, 76% de saturação de oxigênio.
Eu sabia o que fazer. Saberia como?
Respirei fundo, tentando controlar minha ansiedade.
Precisava de clareza para objetivar minha atitude.
Agora eu era a médica.
A equipe de enfermagem me aguardava.
Os segundos tornaram-se longos, todos olhavam para mim.
Olhei para minhas inexperientes e trêmulas mãos.
Um breve pensamento dizendo 'fuja'.
Eu fiz o meu melhor.
Era grave.
Ela agora respirava com a ajuda de um aparelho.
Precisava de drogas vasoativas para manter seu sangue circulando.
Eu sentada na Emergência, buscando um leito de UTI.
Outros pacientes lá fora, me aguardando.
Os intermináveis segundos, viraram minutos e os minutos em horas.
Minha paciente 'parou'!
Meus olhos se depararam pela primeira vez como médica com a ousada linha reta na monitor cardíaco.
Ela me olhava, quase rindo, dizendo, prazer sou a assistolia!
Protocolos, drogas, aulas de faculdade passavam como um turbilhão em minha cabeça.
Vencemos ela, quatro vezes.
Mas não na quinta...
Silêncio.
A morte abraçou minha paciente.
Levou uma esposa, uma mãe, uma avó.
Levou uma amiga, estórias vividas.
Eu perdi minha primeira paciente.
Olhei para o chão, devastada.
Eu fiz o que eu pudia. Fiz o que eu sabia.
Outro teria feito melhor?
Olhei para o relógio na parede. Teria ainda mais 3 horas de plantão.
Conseguiria?
Teria de dar a notícia mais difícil da minha vida.
Um filho e uma filha, a mãe faleceu.
Choramos, os três.
Quem foi mesmo que disse que médico não pode chorar?
E foi nesse mesmo dia que entendi a medicina perdida.
Pacientes, impacientes me esperando!
Reclamações na recepção. Ameaças infundadas que seriam feitas a direção.
Estava dormindo? Alguém me perguntou.
Uma pessoa morreu, queria gritar!
Resignada, fui atropelada por grosserias!
Resfriados, dores de barriga, dores de cabeça, um pedido de receita!
A relação médico-paciente foi pro ralo.
Suas bases, a empatia e o respeito viraram uma utopia.
Seria assim a medicina?
Já em casa chorei.
Chorei pela vida perdida em minhas mãos.
Chorei pelo lado cruel do ser humano.
A intolerância, a incompreensão.
Teria a indiferença tomado conta de nós?
E eu que sempre fui contra chamar pacientes de clientes, a medicina como um banalizado serviço prestado!
Não! Ser médico é muito mais que isso!
É olhar no olho! É segurar na mão.
Auscultar e escutar um coração.
Uma palavra de conforto.
O alívio da dor.
Simplesmente estar junto, mesmo em silêncio.
Pacientes não são uma discussão de caso clínico.
O que aconteceu com as relações humanas?
Se pudessemos resgatar, essa é a essência da medicina.
Os hospitais superlotados, a extenuante jornada de trabalho...
Talvez, só talvez... ficasse um pouco mais fácil.
Parece tão simples.
Afinal, depende de nós, médicos e pacientes.
Ou serei ainda uma jovem médica sonhadora?
domingo, janeiro 16, 2011
Rio de Janeiro, a Avalanche
Não tem como ficar aqui no Sul do Brasil fingindo que nada está acontecendo.
Invadidos por todos os meios de comunicação pela alarmante situação que vive a região serrana do Rio de Janeiro. A maior tragédia climática da história do nosso país, li em alguma reportagem.
Climática? A Natureza tem tanta culpa assim?
Chuva abundante, secas trazendo incêndios, terremotos, vulcões em erupção... afinal, a Natureza não funciona assim? De quem é então, a culpa?
Vejo duas respostas concretas. A primeira é que a cena se repete. Muda o cenário, mudam os personagens. A segunda é que não podemos controlar o incontrolável. Chuva em excesso no RJ. Já o RS sofre com a alarmante seca. Vocês conhecem Bagé? Por lá, a chuva seria mais que bem-vinda!
Hoje, eu chamo a situação vivida no RJ a Avalanche.
Avalanche de chuva que começa serena, alívia o calor. Alivía a sede. Mas ela não pára! Sobe o nível da água dos rios e numa velocidade incalculável invade tudo que está em seu caminho. Arrasta automóveis, arranca árvores, arrasta pessoas. De onde a água tirou tanta força?
Avalanche de lama que destrói casas, soterra pessoas e suas vidas. Soterra certidões de nascimento, fotos de casamento, cartas de amor. A boneca preferida, os remédios necessários, a sapatilha do ballet, a última compra do supermercado.
Destrói geladeiras parceladas, ainda não pagas. Os presentes recebidos no último Natal.
Avalanche de vidas perdidas... 611? Até agora, um número estimado. A avalanche não tem piedade! Crianças, adultos, idosos! Famílias inteiras, ás vezes poupa um... aquele resto de um destruído que compartilha suas lágrimas de desespero conosco. Com uma foto rasgada, amassada, suja de seu bebê, soterrado pela avalanche.
Avalanche de descaso. A repetição da tragédia. Os morros desmoronados. Cidades inundadas. Políticos sobrevoando com seus helicópteros a miséria. O que efetivamente foi feito depois da última tragédia? Promessas vazias, dinheiro emergencial, tropas do exército enviadas, palavras de conforto em entrevistas. É isso?
Avalanche de desespero. Lojas saqueadas, policiamento reforçado. Pessoas vivendo sob o que restou de suas casas com medo de roubo. Pessoas cercadas de água em busca de água potável. Pacientes graves internados em hospitais alagados. Vidas construídas e destruídas, e agora?
Avalanche de podridão. Esgotos transbordados, lixo, ratos. Corpos já em putrefação.
Avalanche de solidariedade. Ainda bem que sempre há o contraponto.
Ouvi um especialista falando (infelizmente não gravei seu nome) que pensamos que os rios invadem nossos jardins, mas esquecemos que construímos nossas casas no jardim dos rios. Alguma coisa então está errada. A Natureza não é tão furiosa assim.
Enquanto isso no Haiti que há um ano atrás foi devastado por um terremoto, com mais de 200.000 mortos, uma epidemia de cólera castiga o já castigado país, deixando mais de 3.700 mortos. Estamos indo para o mesmo caminho?
Agora é o momento de repensar e fazer um planejamento efetivo. Do contrário, logo aí vem o Carnaval e ano que vem assistiremos incrédulos com lágrimas nos olhos a mesma estória. Será uma estória sem fim?
A Estória em Imagens
(Não sei a autoria de todas as fotos, se alguém souber... envie!)
Não tem como ficar aqui no Sul do Brasil fingindo que nada está acontecendo.
Invadidos por todos os meios de comunicação pela alarmante situação que vive a região serrana do Rio de Janeiro. A maior tragédia climática da história do nosso país, li em alguma reportagem.
Climática? A Natureza tem tanta culpa assim?
Chuva abundante, secas trazendo incêndios, terremotos, vulcões em erupção... afinal, a Natureza não funciona assim? De quem é então, a culpa?
Vejo duas respostas concretas. A primeira é que a cena se repete. Muda o cenário, mudam os personagens. A segunda é que não podemos controlar o incontrolável. Chuva em excesso no RJ. Já o RS sofre com a alarmante seca. Vocês conhecem Bagé? Por lá, a chuva seria mais que bem-vinda!
Hoje, eu chamo a situação vivida no RJ a Avalanche.
Avalanche de chuva que começa serena, alívia o calor. Alivía a sede. Mas ela não pára! Sobe o nível da água dos rios e numa velocidade incalculável invade tudo que está em seu caminho. Arrasta automóveis, arranca árvores, arrasta pessoas. De onde a água tirou tanta força?
Avalanche de lama que destrói casas, soterra pessoas e suas vidas. Soterra certidões de nascimento, fotos de casamento, cartas de amor. A boneca preferida, os remédios necessários, a sapatilha do ballet, a última compra do supermercado.
Destrói geladeiras parceladas, ainda não pagas. Os presentes recebidos no último Natal.
Avalanche de vidas perdidas... 611? Até agora, um número estimado. A avalanche não tem piedade! Crianças, adultos, idosos! Famílias inteiras, ás vezes poupa um... aquele resto de um destruído que compartilha suas lágrimas de desespero conosco. Com uma foto rasgada, amassada, suja de seu bebê, soterrado pela avalanche.
Avalanche de descaso. A repetição da tragédia. Os morros desmoronados. Cidades inundadas. Políticos sobrevoando com seus helicópteros a miséria. O que efetivamente foi feito depois da última tragédia? Promessas vazias, dinheiro emergencial, tropas do exército enviadas, palavras de conforto em entrevistas. É isso?
Avalanche de desespero. Lojas saqueadas, policiamento reforçado. Pessoas vivendo sob o que restou de suas casas com medo de roubo. Pessoas cercadas de água em busca de água potável. Pacientes graves internados em hospitais alagados. Vidas construídas e destruídas, e agora?
Avalanche de podridão. Esgotos transbordados, lixo, ratos. Corpos já em putrefação.
Avalanche de solidariedade. Ainda bem que sempre há o contraponto.
Ouvi um especialista falando (infelizmente não gravei seu nome) que pensamos que os rios invadem nossos jardins, mas esquecemos que construímos nossas casas no jardim dos rios. Alguma coisa então está errada. A Natureza não é tão furiosa assim.
Enquanto isso no Haiti que há um ano atrás foi devastado por um terremoto, com mais de 200.000 mortos, uma epidemia de cólera castiga o já castigado país, deixando mais de 3.700 mortos. Estamos indo para o mesmo caminho?
Agora é o momento de repensar e fazer um planejamento efetivo. Do contrário, logo aí vem o Carnaval e ano que vem assistiremos incrédulos com lágrimas nos olhos a mesma estória. Será uma estória sem fim?
A Estória em Imagens
(Não sei a autoria de todas as fotos, se alguém souber... envie!)
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| Teresópolis. Foto: Fábio Motta |
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| Teresópolis. Foto: Bruno Domingues |
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| Teresópolis. Foto: Fábio Motta |
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| RJ Jan/2011. Foto: ? |
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| Nova Friburgo. Foto: Marcos de Paula |
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| Nova Friburgo. Foto: Antônio Lacerda |
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| Nova Friburgo. Foto: Pedro Kirilus |
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| Nova Friburgo. Foto: Felipe Dana |
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| Teresópolis. Foto: Roberto Ferreira |
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| Teresópolis. Foto: Bruno Domingues |
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| Teresópolis. Foto: Felipe Dana |
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| Dilma e o governador Sérgio Cabral. Foto: Roberto Stuckert Filho |
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| Teresópolis. Foto: Ana Carolina Fernandes |
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| Abrigo em Teresópolis. Força Brasil! Foto: Antonio Lacerda |
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| Teresópolis. Foto: Ana Carolina Fernandes |
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| Teresópolis. Foto: Felipe Dona |
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| Teresópolis. Foto: Bruno Domingos |
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| Resgate. Foto: Vanderlei Almeida |
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| Teresópolis. Foto: Bruno Domingos |
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| Teresópolis. Foto: Wilton Jr |
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Elizabeth Bishop
A primeira vez que ouvi falar de Elizabeth Bishop foi assistindo um filme bonitinho, mas não emocionante. O filme? Em Seu Lugar (In Her Shoes, EUA, 2005). Maggie (Cameron Diaz) recita de forma atrapalhada um dos mais lindos poemas escritos por Bishop. E sem dúvida, a cena mais tocante do filme.
Apaixonada por poesia e amparada pelo vasto universo oferecido pela Internet, saí a procura! Queria conhecer melhor essa desconhecida (para mim) escritora.
Li vários de seus poemas e um pouco sobre sua curiosa biografia. Elizabeth Bishop nasceu em 1911 e foi considerada uma das maiores poetas americanas do século XX. Órfã de pai e mãe, que sofria de alguma doença mental, viveu uma vida recheada de perdas, culminando com a perda de Lota de Macedo Soares, uma brasileira com quem viveu uma intensa estória de amor, nos quinze anos que morou aqui. Sim, no Brasil. O desfecho? O suícido de Lota.
Essa famosa estória de amor estará nos cinemas! Uma produção de Luiz Carlos Barreto com Glória Pires como protagonista. O título mais adequado impossível: 'A Arte de Perder'.
Estava refletindo... será que conhecemos mais uma pessoa por meio de sua biografia ou por seus poemas? Como gostaríamos de ser lembrados? Quem era Elizabeth? O mais curioso... dizem que Bishop queria ser médica, mas abandonou a idéia e resolveu se dedicar a poesia.
Aqui vai o poema. Enjoy!
One Art
(Elizabeth Bishop)
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,
Lose something every day.
Accept the fluster of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant to travel.
None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look!
my last, or next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
- Even losing you (the joking voice, a gesture I love)
I shan't have lied.
It's evidentthe art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.
Uma Arte
Tradução de Horácio Costa
A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.
Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.
Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias ir.
Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas.
E, pior, alguns reinos que tive, dois rios, um continente.
Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente amado),
Mentir não posso.
É evidente: a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda – escreva tudo! – lembre desastre
domingo, janeiro 09, 2011
Ela, a Bendita Felicidade
'Ninguém pode me obrigar a ser feliz a sua maneira'. - I. Kant
A felicidade me intriga!
Uma vida em tua busca.Onde estás escondida?
Você mora aqui dentro ou aí fora?
Tantos livros escritos!
Páginas guiando teu encontro.
Devoradas por milhares de leitores.
Seremos assim tão infelizes?
E eles, os escritores, onde te acharam?
Será uma dádiva, um código genético melhorado?
Ou um bando de atrapalhados?
Ei, alguém realmente já te decifrou?
Não entendo, quem é você?
Um desejo saciado? Uma enorme alegria?
Não estão te confundindo, isso não seria mania?
Mas pense! Você é cega?
Já parou para olhar o nosso mundo?
Então, mal te vejo, onde está você?
Você é histérica? É eufórica?
Me fala! Quem é você?!
Você me escuta?
Ou és tão privada de sentidos?
Ah, felicidade, sua tirana!
Nos impuseram te dominar como um padrão social!
Do contrário somos estranhos, pessimistas.
Perdidos, questionando, o que há de errado conosco afinal?
Comprimidos de vários tamanhos, formatos e cores invadindo nossa rotina.
Nessa busca frenética pela adequação.
Serão mesmo os outros tão felizes?
Acho que Goethe estava certo quando dizia:
'Nada é mais difícil de suportar do que uma sucessão de belos dias.'
E agora Felicidade, explica!
Aprendemos palavras estranhas, incorporadas em nossas vidas.
Será a serotonina?
Não, aumente a noradrenalina, ou será uma questão de conformação cerebral?
Só um pouco, não seria isso o normal?
E tudo ainda se complica!
Fizeste um pacto com a tal paz interior!
Por favor, alguém explica que diabo isso significa!
Te acho tão megalomaníaca que queres ser plena!
Nos poupe dessa utopia!
Vamos ser realistas!
A infelicidade também é nossa amiga.
Quero meu direito a melancolia. Com ela me expresso!
Quero viver serena meus dias de tristeza, eles me pertencem.
Quero chorar sem estar escondida.
Quero experimentar a dor.
Quero reinventar a solidão!
Nem me venha com esse papo! Nem tudo é depressão!
Entao, felicidade, eu te digo
Se és isso tudo que dizem.
Não te quero ao meu lado.
A felicidade que conheço, não tem escalas, não tem padrão.
Me agarro a essa estranha que hoje não tem mais nome.
Mas permite que eu apenas seja, sem ressalvas.
Não precisa definição.
Não quero essa felicidade clandestina.
E te afirmo, sem receio, o que vale nessa vida é simplesmente sentir-se bem. Ponto final.
E você aí me lendo, és MESMO tão feliz assim?
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Minha Paciente
Sábado a noite, plantão, Natal, tumulto.
Quando cheguei você já estava lá. Aguardava exames.
Temos a mesma idade. Teríamos os mesmos sonhos?
Sorri, você retribuiu meu sorriso.
Pareceria tão serena, não fosse o enorme esforço respiratório.
Cada insipiração parecia uma batalha.
Pele pálida, boca seca.
Oxigênio a ajudava a respirar.
Quando te vi eu sabia o que estava errado.
Um êmbolo insignificante obstruira um vaso sanguíneo de seu pulmão.
Aguardaríamos os exames.
Nos gostamos naquele instante. Essa estranha identificação.
Poderíamos ter nos conhecido em outra ocasião.
Poderíamos ter sido amigas.
Mas a vida nos aproximou naquela noite.
O câncer de mama lhe consumia. Invadira seus ossos.
A quimioterapia causou uma aplasia em sua medula.
Não produzia mais as células sanguineas da forma necessária.
Queria ter conversado mais. Porém outros pacientes me aguardavam.
Cada pessoa é tão vasta. Cada vida é tão rica, da sua maneira.
A sua estava acabando e isso nós duas sabíamos.
Será que temos uma percepção diferente do tempo quando sabemos que ele está chegando ao fim?
Os exames chegaram.
Eu estava certa. Queria estar errada.
O que há de tão especial em acertar um diagnóstico afinal?
Onde está a poesia da medicina?
Você precisava de anticoagulantes. E suas plaquetas estavam tão baixas...
Fiquei por alguns minutos olhando aquele pedaço de papel.
A sala antes barulhenta tornou-se silenciosa para mim.
Ouvia apenas minha respiração e meus pensamentos.
Eu tinha sua vida em minhas mãos.
Dar a medicação e tratar a embolia, correndo o risco de sangramento que suas mínimas plaquetas não conseguiriam controlar.
Não dar e, impotente, observar o curso natural de sua doença.
Lembrei de outra paciente, mais jovem que nós a quem fui fazer uma visita pré-operatória.
Sentada em uma poltrona desconfortável em uma enfermaria com mais quatro pacientes.
Vestia uma camisola amarela, um sorriso cativante.
Invadida por um agressivo tumor de tireóide já disseminado.
A morte ali, sentada ao seu lado.
A mãe aflita, agarrada a esperança de que a quimioterapia a salvaria.
Quantas vidas destruídas.
Eu vou ficar bem, não vou?
Qual a resposta certa?
Qual meu papel como médica?
Paliativo de sofrimento?
O que fazer quando não há cura e a morte de uma jovem é o inevitável?
Queria poder arrancar esses tumores e lhes devolver a vida!
Voltei com o resultado dos exames.
Lágrimas nos olhos, você achava que era apenas a anemia.
É grave?
Não precisava do meu sim.
Meus olhos te diziam a resposta.
Os seus me falavam o seu sofrimento.
O dia amanheceu, o plantão acabou.
Eu fui embora, você ficou.
Um mesmo lugar. Duas jovens mulheres. Uma escolha, uma fatalidade.
Eu quis ser médica.
Você não quis um câncer de mama.
Quem pode explicar os propósitos da vida?
Curioso. Tantas pessoas passam e poucas ficam.
Você, ficou.
Ficou e questiona a medicina em mim.
Posso simplesmente tirar meu jaleco, guardar o estetoscópio e seguir?
Não, você me mudou de alguma forma.
E quando penso, uma escolha...
Eu sabia que não seria fácil. Não imaginava que as vezes ficaria tão difícil assim.
Espero que você esteja bem, seja lá o que isso significa.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Doze horas
Mal cheguei em casa e saí.
Fiquei apreensiva, telefonei para amigas.
Chorei, fiquei angustiada.
Passei lápis nos olhos, pisquei para mim.
Achei que precisaria de máscaras.
Peguei cerveja no Posto.
Encontrei amigos, conhecidos e pessoas de quem apenas tinha ouvido falar.
Conheci desconhecidos.
Já fui tantas vezes onde fui mas é sempre um outro lugar.
Bebi um chopp.
Acendi um cigarro.
Amei minhas unhas vermelhas, mãos e pés.
Uma pessoa fui para encontrar, outras sabia estariam lá. Outros me preparei para encontrar. Alguns uma adorável surpresa.
Revi o sorriso doce e acolhedor da minha paraninfa. Que bom que você estava lá!
Abracei tantos!
Abracei quem amo.
Bebi dois chopps.
Pedi uma música.
Ouvi Raul.
Pensei se ele realmente já tomou banho de chapéu alguma vez.
Lembrei eu criança querendo tomar banho com um guarda chuva.
Dancei!
Cantei alto, cantei para mim, cantei com amigos. Cantei músicas que não sabia a letra.
Falei besteira.
Ouvi besteiras.
Conversei sobre a minha vida.
Breves diálogos sobre medicina.
Recebi um elogio sobre o que escrevo.
Me envaideci.
Bebi três chopps e mais um cigarro.
Olhei as estrelas.
Ri sozinha.
Entendi algumas coisas sob outra perspectiva.
Falei mal de alguém.
Falei por falar.
Falei por sentir.
Vi jovens felizes, comemorando suas conquistas.
Senti a felicidade deles.
Ouvi que estava linda.
Me senti linda.
Experimentei a vaidade.
Aprendi a usar uma máquina de chopp!
Pensei em contar uma mentira.
Me senti um pouco tonta.
Perdi a conta dos chopps.
Ouvi confidências de um amigo.
Ri sem motivo.
Gargalhei. Senti minha barriga doer e lágrimas escorrerem dos meus olhos.
Fui um pouco provocativa.
Ouvi as risadas que mais adoro.
Olhei nos olhos de alguém que amo muito.
Pensei nas máscaras que queria trazer, que bobagem.
Vi casais que se amam.
Outros nem tanto assim.
Me senti tão eu.
Desfiz fantasias.
Ganhei um selinho.
Escutei uma banda maravilhosa.
Não tocaram todas as músicas que queria.
Não falei tudo que gostaria, mas e daí?
Fiquei trancada fora de casa.
E novamente eu ri.
Os cigarros acabaram.
Bebi uma coca bem gelada.
Fui mordida por um cachorro.
Mal dormi.
Vesti um jaleco que não era meu.
Preparei uma anestesia.
Dei a notícia a uma jovem que ela seria mãe.
Vi a Nicole nascer.
Fui paciente de um pequeno procedimento cirurgico.
Senti dor e seu alívio.
Fiquei um pouco rouca, falei tanto assim?
Liguei para minha mãe.
Peguei carona com meu padrasto.
Senti saudade de meus irmãos.
Tomei um banho e doze horas chegaram ao fim.
Ah vida, as vezes me pergunto tanto, por que estou aqui?
E 'você', com apenas algumas horas, me invade de sentido.
Afinal, 'você' é simples assim...
Fiquei apreensiva, telefonei para amigas.
Chorei, fiquei angustiada.
Passei lápis nos olhos, pisquei para mim.
Achei que precisaria de máscaras.
Peguei cerveja no Posto.
Encontrei amigos, conhecidos e pessoas de quem apenas tinha ouvido falar.
Conheci desconhecidos.
Já fui tantas vezes onde fui mas é sempre um outro lugar.
Bebi um chopp.
Acendi um cigarro.
Amei minhas unhas vermelhas, mãos e pés.
Uma pessoa fui para encontrar, outras sabia estariam lá. Outros me preparei para encontrar. Alguns uma adorável surpresa.
Revi o sorriso doce e acolhedor da minha paraninfa. Que bom que você estava lá!
Abracei tantos!
Abracei quem amo.
Bebi dois chopps.
Pedi uma música.
Ouvi Raul.
Pensei se ele realmente já tomou banho de chapéu alguma vez.
Lembrei eu criança querendo tomar banho com um guarda chuva.
Dancei!
Cantei alto, cantei para mim, cantei com amigos. Cantei músicas que não sabia a letra.
Falei besteira.
Ouvi besteiras.
Conversei sobre a minha vida.
Breves diálogos sobre medicina.
Recebi um elogio sobre o que escrevo.
Me envaideci.
Bebi três chopps e mais um cigarro.
Olhei as estrelas.
Ri sozinha.
Entendi algumas coisas sob outra perspectiva.
Falei mal de alguém.
Falei por falar.
Falei por sentir.
Vi jovens felizes, comemorando suas conquistas.
Senti a felicidade deles.
Ouvi que estava linda.
Me senti linda.
Experimentei a vaidade.
Aprendi a usar uma máquina de chopp!
Pensei em contar uma mentira.
Me senti um pouco tonta.
Perdi a conta dos chopps.
Ouvi confidências de um amigo.
Ri sem motivo.
Gargalhei. Senti minha barriga doer e lágrimas escorrerem dos meus olhos.
Fui um pouco provocativa.
Ouvi as risadas que mais adoro.
Olhei nos olhos de alguém que amo muito.
Pensei nas máscaras que queria trazer, que bobagem.
Vi casais que se amam.
Outros nem tanto assim.
Me senti tão eu.
Desfiz fantasias.
Ganhei um selinho.
Escutei uma banda maravilhosa.
Não tocaram todas as músicas que queria.
Não falei tudo que gostaria, mas e daí?
Fiquei trancada fora de casa.
E novamente eu ri.
Os cigarros acabaram.
Bebi uma coca bem gelada.
Fui mordida por um cachorro.
Mal dormi.
Vesti um jaleco que não era meu.
Preparei uma anestesia.
Dei a notícia a uma jovem que ela seria mãe.
Vi a Nicole nascer.
Fui paciente de um pequeno procedimento cirurgico.
Senti dor e seu alívio.
Fiquei um pouco rouca, falei tanto assim?
Liguei para minha mãe.
Peguei carona com meu padrasto.
Senti saudade de meus irmãos.
Tomei um banho e doze horas chegaram ao fim.
Ah vida, as vezes me pergunto tanto, por que estou aqui?
E 'você', com apenas algumas horas, me invade de sentido.
Afinal, 'você' é simples assim...
domingo, dezembro 12, 2010
O Telefonema
Olhava pela janela de seu apartamento a cidade que aos poucos adormecia. A noite era quente, o céu estrelado. Vestia uma calcinha preta e uma regata branca. Ouvia o barulho da televisão ligada, não percebia os diálogos. A TV trazia rajadas de cores a sala escura. A luz apagada.
Esticou a mão para alcançar a carteira de cigarros. Impaciente não localizou o isqueiro. Deteve-se por alguns instantes em sua sala. Suspirando fundo, caminhou até a mesa central e pegou seu isqueiro preto. Acendeu o quinto cigarro da noite, na tentativa frustada de aliviar a ansiedade. Queria poder programar seu cérebro para se auto desligar. Sorriu com esse pensamento.
Voltou-se novamente para as luzes da cidade. Percebeu sua imagem refletida no vidro. Olhou em seus próprios olhos. Não sabia mais quem era. Lágrimas borraram sua visão. Com um rápido piscar de olhos sentiu elas descendo, aquecendo seu rosto.
Olhou o relógio, 2hs da manhã. Lembrou dos compromissos do dia seguinte. Queria fechar os olhos e acordar em outra vida. Não queria viver o dia de amanhã. Não queria ter vivido o dia de hoje.
O telefone tocou tirando ela de seus devaneios. Uma descarga de adrenalina invadiu seu corpo. Sentiu o coração acelerar, quase podia ouvi-lo bater em seu peito. A respiração tornou-se ofegante, suas pupilas dilataram-se. Sentiu as mãos suadas.
_ Oi, atendeu com a voz um pouco trêmula.
_ Oi, acordada?
Instantes de silêncio.
_ Saudade, disse baixinho a voz do outro lado da linha.
Quantas noites ela desejou receber esse telefonema. Ouvir sua voz. A voz que sussurrou amores e malícias em seu ouvido. A voz que imaginou que ouviria pelo resto de seus dias.
Desligou o telefone. Apertando ele com força contra seu peito. Tocou novamente. Não podia mais atender. Não podia mais ouvir sua voz. Eles tão íntimos, agora dois estranhos. A cama quente hoje fria. Dois voltava a ser um.
Quem era ele? Não sabia mais responder. Ele se transformou em tantos dentro dela que agora não sabia mais que parte dele estava ligando. Quem estava com saudade? Não havia ninguém. Apenas fragmentos de um alguém. Quem?
Jogou o telefone no sofá o sentou-se no chão. Acariciou com uma das mãos o tapete macio. Encolheu-se, abraçando as pernas. Chorou sozinha a sua dor. A dor lacinante que rasgava seu peito. Não era mais a perda de um amor. Era a dor do vazio.
A única saudade que sentia era dela mesma.
Adormeceu.
O som do despertador foi aos poucos invadindo seu sonho. Abriu os olhos. Sentou-se na cama sentindo o corpo cansado. Movimentou delicadamente a cabeça e o pescoço. Podia sentir novamente seus músculos. Saindo da cama, olhou-se no espelho. Seus pequenos olhos refletiam sua exaustão. Sorriu. Naquele instante não sabia exatamente o que queria. Mas sabia exatamente o que deveria fazer. Ser ela mesma.
segunda-feira, novembro 29, 2010
Coisas que um homem não pode saber até te amar muito
Desde então as lembranças mais sombrias minhas e de minhas amigas tem invadido minha mente. Refletindo sobre o assunto, coisas que um homem não pode saber até te amar muito, fiz uma coletânea mental pessoal e das pessoas que mais amo no mundo, elas, minhas companheiras por opção, minhas amigas! Transcrevo:
Eles (supondo aqui 'o homem!') não podem saber que apesar de você fazer esse estilo intelectual e quando questionada sobre seu gosto musical pisa em terra firme e responde orgulhosa pop-rock ou o clássico MPB. Quem não ama Chico Buarque? Mas que em suas tardes livres e sozinha curte mesmo aflorar seu lado negro e brega que vai desde Erasure até um singelo DVD de Sandy & Jr! Sem faltar um bom e melancólico sertanejo!
Que nem sempre você está com aquela calcinha mini e que talvez você até odeie usá-la e tem dias que acorda no melhor estilo Bridget Jones procurando desesperadamente a maior (e mais confortável) calcinha que você ousou comprar! E a rendinha dela pode até estar descosturando um pouco. E se por acaso você já descuidou, deu aquela passadinha básica no toilette e graciosamente esconde aquele 'monstro' na sua bolsa.
O mesmo ocorre com aquele amigo 'invisible bra' que deixa os seios lindos quando encoberto pela sua blusa, mas não aos olhos 'dele'. Item bastante abandonado nos toilettes nos dias de hoje! Sem citar aquela meia calça fantástica que modela sabem? Enfim...
Não cometa nunca a 'gafe' de contar pra 'ele' com quantos caras você já dormiu. Mesmo que você e suas amigas saibam que você não é promíscua (e mesmo que a Organização Mundial de Saúde insista) isso vai abalar e literalmente 'brochar' a confiança dele. O pensamento feminimo foi descrito fantasticamente por Tati Bernardi em uma frase: "Eu já achei que uma infinidade de namorados era THE ONE e eles não era nem o THE HUNDRED." Mas eles não entendem isso, então...
Nunca conte sobre os seus 'tragos', os famosos... aqueles que fazem você descer do salto! Refrescando memórias: quando você decidiu tomar banho nua na piscina e gritar (tudo ao mesmo tempo); dormiu com o chuveiro ligado e de roupas ou dormiu no banheiro de um bar; compartilhou o seu mais íntimo vômito com sua cachorra; correu de botas e nua pela praia; criou apelidos curiosos para as pessoas e nem todas gostaram muito do seu afeto; dançou funk e não satisfeita fotografou para registrar seu feito; mandou uma msg para o número errado, chamando ele de imbecil; dançou no balcão; 'atacou' o berçário; rodopiou freneticamente sem achar-se embriagada; fez xixi na roda de um carro (sério?)! E aqui vai uma lista sem fim...
Nunca conte que você só beijou aquele outro pra fazê-lo sentir ciúmes. Menos ainda confidencie que foi o pior beijo da sua vida e que sim, você queria morrer naquele instante.
Nunca conte que livros como 'Mulheres Superpoderosas' fazem parte da sua leitura de cabeceira.
Nunca conte que naquela noite você não estava se fazendo de difícil e sim você não estava depilada. Nunca ouse contar que na verdade você nem é tão difícil assim!
Nunca conte que na última janta com as amigas o assunto central foi seu 'pinto' e todas as suas minúcias.
Não fale nunca do dia que você fez xixi nas calças, rindo, rindo muito com uma grande amiga!
Não diga sobre aquela noite que foi um fracasso e ao chegar em casa tirou fotos fantasiada com sua amiga. Ou quando a noite foi um sucesso e tirou fotos descalça, sandálias na mão, vendo o nascer do sol, feliz!
Nunca confesse que depois 'daquele beijo' você já visualizou o véu e a grinalda e os lindos filhos de vocês.
Não conte sobre aquele surfista bronzeado que você acreditou um 'deus' e na noite seguinte te recebeu com um 'oi lôca, irado!'
Nunca diga que por mais que você ame a sua profissão, tem aqueles dias que você odeia as mulheres que resolveram um dia queimar seus sutiãs! Dias que você só queria ser uma dondoca.
Quando falar da sua orgia alimentar nunca especifique exatamente o que você comeu, muito menos a quantidade.
Nunca confesse que já passou na frente da casa dele só para se certificar que as luzes estavam acessas ou o carro dele estava na frente. Ou quando após você insistentemente ligar para o celular e não obter o tranquilizador 'oi' do outra lado da linha saiu descontroladamente correndo até o local onde ele trabalha para simplesmente confirmar com o porteiro (assustado nesse momento) que sim, ele estava lá.
Nunca desminta aquele dia que você supostamente estava na TPM e teve uma crise histérica e quebrou o teclado do computador na cabeça dele! Ou aquele dinheiro que você pediu emprestado para ajudar a comprar um livro e era na verdade para pagar a acupuntura do seu amado cachorro. Aliás, não diga que seu cachorrinho faz acupuntura!
Brincadeiras e memórias de lado, somos hoje uma mistura de tudo isso que vivemos. Amem suas estórias e seus 'micos'! E não vai ser devido a um 'xixizinho' que ele vai deixar de amá-la. E se isso ocorrer lembre sempre que você terá o ombro daquelas pessoas com quem você viveu e compartilhou sua vida.
Afinal, "Se a gente já não sabe mais rir um do outro meu bem, então o que resta é chorar" (não lembro o livro). E amigas, chorar não é para nós, mulheres superpoderosas!
Amo vocês!
quarta-feira, novembro 24, 2010
Pink Floyd
The Dark Side of the Moon é um álbum de 1973. Está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame e é o terceiro álbum mais vendido de todos os tempos no mundo inteiro! E o mais curioso é que quando o álbum é tocado simultaneamente com o filme O Mágico de Oz (1939), ocorrem algumas correspondências entre o filme e o álbum. Apesar dos integrantes da banda desmetirem tal fato. Algum outro motivo para você ainda não ter escutado?!
Aqui vai uma das minhas faixas favoritas. (http://www.youtube.com/watch?v=wOSm3V6aGSk) - se você escutar a versão original, o início da faixa começa com as batidas do coração.
Speak To Me - Breathe
Composição: Pink Floyd
Breathe
Breathe in the air.
Don't be afraid to care.
Leave but don't leave me.
Look around and choose your own ground.
Long you live and high you fly
And smiles you'll give and tears you'll cry
And all you touch and all you see
Is all your life will ever be.
Run, rabbit run.
Dig that hole, forget the sun,
And when at last the work is done
Don't sit down it's time to dig another one.
For long you live and high you fly
But only if you ride the tide
And balanced on the biggest wave
You race towards an early grave.
Home, home again.
I like to be here when I can.
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire.
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.
Fonte: Wikipedia
Letra: By myself (pode ter erros!)
terça-feira, novembro 23, 2010
Saramago
Acordei Saramago! Não na destreza com as palavras, lógico. Mas na identificação principalmente com alguns de seus poemas. E lendo em parte entendi porque gostamos de escrever e lançar nossos pensamentos na tela do computador e mesmo compartilhar com amigos e até estranhos. Na tela em branco podemos ser qualquer personagem. Mas em todos eles há um pouco (ou muito) de nós. Ou quem sabe, como disse sabiamente uma querida amiga, escrever é uma forma de falararmos sozinhos sem parecermos loucos!
Aqui vai o texto e depois um de meus poemas preferidos.
"Escrever é traduzir. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e o que sentimos para um código convencional de signos, a escrita. E deixamos às circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não tanto a integridade da experiência que nos propusemos transmitir, mas uma sombra, ao menos, do que no fundo do nosso espírito sabemos bem ser intraduzível..."
Poema à boca fechada
Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
Poema encontrado em: http://www.revista.agulha.nom.br/
Certeza
Melancólica...
Saudade de ti. Saudade do agora, saudade do que perdemos, saudade do que vivemos.
Te conheço há tantos anos. E você ainda tão confuso em mim. Tem um você que amo tanto que me sinto sufocando. Outros você, em tantos períodos da minha vida, não sei, me perdi. E naqueles que você não estava, mesmo assim, nunca te esqueci.
Vejo fotos antigas, sorrio pra você.
Teus olhos azuis pequeninhos. Sua pele clara, posso brincar de seguir os trajetos de suas veias. Onde elas levarão? Que caminhos me levam a você? Aquele você, da foto já desbotando. Você, o homem que mais sinto saudade.
Sim, eu sei onde você mora, seu telefone, até sei um pouco da sua rotina. Você, geograficamente tão perto. Existe distância maior que essa? Não sei te acessar e você está aqui.
Por quê brigamos tanto no passado? Queria brigar agora! Talvez nos resgatar, o nós perdido. Será porque na verdade somos tão parecidos.
Olho no espelho, sou você. Minha mão é tão tua.
Demorei algum tempo para te entender. Será que você me entende? Será que eu realmente passei a te entender?
E será que o entendimento nos faz livres dos sentimentos?
O abandono... você foi embora e eu não entendi o porquê. Mas você ainda está aqui. Quem vai compreender?
Amo sua inteligência, seu jeito desastrado, como você dirige mal! Amo você mesmo brabo, o rosto ruborizado. Amo sua boca curvada para baixo que dá a você essa expressão triste. Adoro quando você se empolga e fala alto e gesticula engraçado.
Quantas cartas de amor te escrevi! Todas guardadas em uma caixa de sapatos. Eu sei.
Odeio o teu abraço distante, tua dificuldade de lidar com os afetos. Queria te puxar pra mim! Odeio quando me liga com a voz trêmula, meio sem jeito de falar comigo, poxa... comigo! Odeio quando não me inclui na tua vida, eu sou tua afinal!
Odeio essa barreira, quem colocou esse negócio entre nós?
Saudade de deitar em tua barriga, de ficar acordada até tarde só te vendo trabalhar. Você é como eu, ou eu sou como você... gosta do silêncio da noite, onde você só encontra você. Saudade da minha cama que arrumava ao lado da tua. Nossas aulas de brincadeira, nossos jogos de cartas ou tabuleiro até a madrugada, os nosso aniversários sem fim. Saudade das tuas idéias malucas para virar um milionário.
Alguns anos atrás, eu com uma rosa na mão, procurando um rosto na multidão. Lá estava você. Como foi bom te ver. Parti quase correndo em tua direção, já com lágrimas nos olhos, eu e você. Foi tão bom te abraçar e te sentir tão perto de mim. O choro preso na garganta. Nós sem palavras. Não importava. Nem sempre as palavras são necessárias. Era novamente eu e você e só.
E ali, na missa da minha formatura eu entendi.
Eu sei pai, não precisa falar. Também te amo.
Tua 'Mana'
Saudade de ti. Saudade do agora, saudade do que perdemos, saudade do que vivemos.
Te conheço há tantos anos. E você ainda tão confuso em mim. Tem um você que amo tanto que me sinto sufocando. Outros você, em tantos períodos da minha vida, não sei, me perdi. E naqueles que você não estava, mesmo assim, nunca te esqueci.
Vejo fotos antigas, sorrio pra você.
Teus olhos azuis pequeninhos. Sua pele clara, posso brincar de seguir os trajetos de suas veias. Onde elas levarão? Que caminhos me levam a você? Aquele você, da foto já desbotando. Você, o homem que mais sinto saudade.
Sim, eu sei onde você mora, seu telefone, até sei um pouco da sua rotina. Você, geograficamente tão perto. Existe distância maior que essa? Não sei te acessar e você está aqui.
Por quê brigamos tanto no passado? Queria brigar agora! Talvez nos resgatar, o nós perdido. Será porque na verdade somos tão parecidos.
Olho no espelho, sou você. Minha mão é tão tua.
Demorei algum tempo para te entender. Será que você me entende? Será que eu realmente passei a te entender?
E será que o entendimento nos faz livres dos sentimentos?
O abandono... você foi embora e eu não entendi o porquê. Mas você ainda está aqui. Quem vai compreender?
Amo sua inteligência, seu jeito desastrado, como você dirige mal! Amo você mesmo brabo, o rosto ruborizado. Amo sua boca curvada para baixo que dá a você essa expressão triste. Adoro quando você se empolga e fala alto e gesticula engraçado.
Quantas cartas de amor te escrevi! Todas guardadas em uma caixa de sapatos. Eu sei.
Odeio o teu abraço distante, tua dificuldade de lidar com os afetos. Queria te puxar pra mim! Odeio quando me liga com a voz trêmula, meio sem jeito de falar comigo, poxa... comigo! Odeio quando não me inclui na tua vida, eu sou tua afinal!
Odeio essa barreira, quem colocou esse negócio entre nós?
Saudade de deitar em tua barriga, de ficar acordada até tarde só te vendo trabalhar. Você é como eu, ou eu sou como você... gosta do silêncio da noite, onde você só encontra você. Saudade da minha cama que arrumava ao lado da tua. Nossas aulas de brincadeira, nossos jogos de cartas ou tabuleiro até a madrugada, os nosso aniversários sem fim. Saudade das tuas idéias malucas para virar um milionário.
Alguns anos atrás, eu com uma rosa na mão, procurando um rosto na multidão. Lá estava você. Como foi bom te ver. Parti quase correndo em tua direção, já com lágrimas nos olhos, eu e você. Foi tão bom te abraçar e te sentir tão perto de mim. O choro preso na garganta. Nós sem palavras. Não importava. Nem sempre as palavras são necessárias. Era novamente eu e você e só.
E ali, na missa da minha formatura eu entendi.
Eu sei pai, não precisa falar. Também te amo.
Tua 'Mana'
segunda-feira, novembro 22, 2010
Dois Diálogos
Eu era tão tola...
E já passou tanto tempo, por quê vocês continuam aqui?
Você que é sem rosto?
Você, minha primeira paixão.
Eu era uma menina, brincando de adulta, o que eu sabia da vida?
Quando você chegou o medo me invadiu, o que eu sabia sobre você?
Eu tão você e você tão eu. Seria assim?
Você escancarou a mulher em mim, trouxe ela a tona, transbordando paixão!
Desculpa, eu era sim uma mulher, ingênua, eu não sabia, no fundo ainda achava uma menina.
Eu descobri o desejo, o tesão, o arrepio na pele... ah você!
Eu conheci o desespero, agi por impulso.
Eu sei, não tem desculpa.
Com você eu ruborizava, sempre tão tímida.
Ainda sou um pouco assim, serei ainda um pouco menina?
Você estava aqui, pela primeira vez, tão unido a mim, tão meu, só meu...
E você aí, tão fora de mim, tão distante!
A boca macia deslizando na minha, meu corpo amolecendo.
Você segurando meu braço com força.
Como seria teu toque?
Eu fui até as nuvens, caí de lá sozinha?
Quantas noites em êxtase! Quanta inconsequência!
Que delícia de sensação!
Você sussurando em meu ouvindo, cheirando meu pescoço.
Nunca foram as palavras que eu queria.
Qual teu cheiro?
Quantas noites abandonada.
A noite que te abandonei... eu fui ao chão! Levantaria?
O que teria sido? Não podia ter você, não podia!
Eu não conseguia mais, você sabia.
Eu arranquei você de mim, como uma cólica dolorosa, precisei me encolher. Eu estava sozinha.
Arranquei? Será que ainda sou aquela menina tão ingênua!
Não, você foi aos poucos, o tempo foi te apagando.
Meu coração se partiu, pequenos pedaços.
Qual pedaço é você?
Queria te resgatar em mim, não consigo, cade você?
Eu que andei flutuando!
Me arrastei!
Eu fui tão impulsiva, mas isso vocês sabem.
Vocês me mudaram tanto.
Quem sou eu afinal?
Ainda sonho como você, sabia?
Te imagino, conheço tua voz, teu sorriso, teu amor.
Será que ele se parece com você?
Tantas coisas que hoje eu gostaria de te dizer, mas não te conheço, você não está aqui...
Perdão, deveria ter lhe dito, mas não consegui, fui tão covarde, fui tão infantil...
Tinha receio que você me odiasse.
Você teria me amado?
Você me odeia?
Perdão, você.
Vou sentir você novamente em mim?
O que sinto hoje já não é o mesmo. Aquela paixão pode voltar?
Por você ainda choro, chorarei até o fim?
Não, por você já chorei demais, achei até que a dor jamais passaria...
Você me apresentou o vazio.
A dor passou. Já a solidão, bem essa as vezes vem e me acompanha.
Por vezes tenho a sensação que se eu fizer um esforço posso tocá-la.
Hoje não.
Só um instante, será que a dor realmente passou?
E eu era sim tão criança...
Mas vocês não saem de mim...
Vocês, meus maiores erros?
E já passou tanto tempo, por quê vocês continuam aqui?
Você que é sem rosto?
Você, minha primeira paixão.
Eu era uma menina, brincando de adulta, o que eu sabia da vida?
Quando você chegou o medo me invadiu, o que eu sabia sobre você?
Eu tão você e você tão eu. Seria assim?
Você escancarou a mulher em mim, trouxe ela a tona, transbordando paixão!
Desculpa, eu era sim uma mulher, ingênua, eu não sabia, no fundo ainda achava uma menina.
Eu descobri o desejo, o tesão, o arrepio na pele... ah você!
Eu conheci o desespero, agi por impulso.
Eu sei, não tem desculpa.
Com você eu ruborizava, sempre tão tímida.
Ainda sou um pouco assim, serei ainda um pouco menina?
Você estava aqui, pela primeira vez, tão unido a mim, tão meu, só meu...
E você aí, tão fora de mim, tão distante!
A boca macia deslizando na minha, meu corpo amolecendo.
Você segurando meu braço com força.
Como seria teu toque?
Eu fui até as nuvens, caí de lá sozinha?
Quantas noites em êxtase! Quanta inconsequência!
Que delícia de sensação!
Você sussurando em meu ouvindo, cheirando meu pescoço.
Nunca foram as palavras que eu queria.
Qual teu cheiro?
Quantas noites abandonada.
A noite que te abandonei... eu fui ao chão! Levantaria?
O que teria sido? Não podia ter você, não podia!
Eu não conseguia mais, você sabia.
Eu arranquei você de mim, como uma cólica dolorosa, precisei me encolher. Eu estava sozinha.
Arranquei? Será que ainda sou aquela menina tão ingênua!
Não, você foi aos poucos, o tempo foi te apagando.
Meu coração se partiu, pequenos pedaços.
Qual pedaço é você?
Queria te resgatar em mim, não consigo, cade você?
Eu que andei flutuando!
Me arrastei!
Eu fui tão impulsiva, mas isso vocês sabem.
Vocês me mudaram tanto.
Quem sou eu afinal?
Ainda sonho como você, sabia?
Te imagino, conheço tua voz, teu sorriso, teu amor.
Será que ele se parece com você?
Tantas coisas que hoje eu gostaria de te dizer, mas não te conheço, você não está aqui...
Perdão, deveria ter lhe dito, mas não consegui, fui tão covarde, fui tão infantil...
Tinha receio que você me odiasse.
Você teria me amado?
Você me odeia?
Perdão, você.
Vou sentir você novamente em mim?
O que sinto hoje já não é o mesmo. Aquela paixão pode voltar?
Por você ainda choro, chorarei até o fim?
Não, por você já chorei demais, achei até que a dor jamais passaria...
Você me apresentou o vazio.
A dor passou. Já a solidão, bem essa as vezes vem e me acompanha.
Por vezes tenho a sensação que se eu fizer um esforço posso tocá-la.
Hoje não.
Só um instante, será que a dor realmente passou?
E eu era sim tão criança...
Mas vocês não saem de mim...
Vocês, meus maiores erros?
terça-feira, novembro 16, 2010
O Príncipe do Cavalo do Branco
Há muito tempo atrás em uma terra distante...
E essa frase complicou o aqui e o agora.
O príncipe nunca se pareceu mais com um sapo que hoje em dia. E por mais que você beije, o sapo é cada vez mais sapo.
As mudanças de nossa sociedade cada vez mais sobrexigente, modificou tanto homens e mulheres que se antes a compreensão era difícil, hoje nossa interação mesmo invadida por tantas formas de comunicação é cada vez mais confusa.
Os homens da atualidade nunca estiveram tão em contato com seu 'lado feminimo'. Abriram mão de sua 'ogrisse' e se sentem perfeitamente a vontade de usar um corretivo em plena luz do sol e sua pele, antes mais grossa e forte para aguentar as interpéries de sua função como homem, hoje pode ser mais macia que a sua.
E nós mulheres buscando nosso lado masculino, nossa agressividade, nossa independência tanto financeira quanto emocional, vestimos calças e usamos tênis. Sob protestos algumas vezes, tenho que dizer.
Porém, há uma visão distorcida dessa mudança.
A história infantil mais se parece com uma princesa que teve de rasgar seu vestido para descer a torre sozinha, se esconde esperando o príncipe chegar para pelo menos ele matar o dragão. O príncipe chega, não mais em um cavalo branco, já virou um gateado mesmo, manco e velho. O príncipe se assusta tanto quanto a princesa com o dragão. E agora, minha amiga, sua estória poderá ter três desfechos principais. A primeira é que ele vai embora, porque afinal de contas há de haver outra princesa de mais fácil acesso. A segunda é você respirar fundo e ajudar seu príncipe a matar o dragão e rezar para o resultado ser positivo. E a terceira é você ser a felizarda e seu príncipe ainda ser aquele, apesar de não mais com seu cavalo branco, o que mata o dragão e vem te resgatar! A parte de te salvar na torre, já está querendo demais!
Deixando a questão metafórica e filosófica de lado, voltemos a nossa realidade! O cerne da questão hoje é mais uma confusão de valores do que de papéis para homens e mulheres. A preocupação excessiva com o 'eu' está sendo confundida com egoísmo. Mas afinal, ainda vivemos em sociedade, lembra? A bandeira levantada de que não posso fazer nada que me agrida confundida com a total e completa falta de respeito com o outro. A sensibilidade das pessoas não significa que você tem em sua testa a frase 'eu sou confuso'. E não, não é só você que importa! As pessoas hoje se preocupam mais com a reciclagem do lixo e a preservação do planeta do que com a reciclagem e preservação de relações humanas. Se angustiam mais em descartar plástico do que em descartar pessoas. Sentimentos banalizados porque é tão fácil dizer, mas onde foi parar o sentir? O sentir foi normatizado e os sentimentos modulados. Eu gosto, eu amo, eu sinto saudade... não, não, não, ainda é muito cedo para eu sentir essas coisas. Eu gosto, eu amo, eu sinto saudade... na verdade não é nada disso, mas o que que tem? Que mal eu dizer isso fará para mim?
E no meio a toda essa confusão, nós mulheres ainda queremos a mesma coisa. O velho e obsoleto sentimento de proteção. Ainda queremos a nossa Fera ou o caçador quem vem nos salvar do lobo mau!
O que me leva a pensar que a espécie humana estaria rumando a extinção se não fossem as pessoas (mais sábias?) que não pensam em nada disso e assim garentem a nossa sobrevivência.
O mundo das pessoas pensantes virou o mais caótico dos mundos! E você ainda se acha inteligente... pois é! Vejo aqui duas opções. Uma mudança nos padrões de literatura infantil com abolição completa dos contos de fada ou...
Homens! Por favor, devolvam nossas maquiagens e voltem a ser homens com H (maiúsculo, enfatizo!). E você, querida amiga Bela Adormecida, acorda! E vai viver a vida!
Afinal, o que vocês querem?!
E essa frase complicou o aqui e o agora.
O príncipe nunca se pareceu mais com um sapo que hoje em dia. E por mais que você beije, o sapo é cada vez mais sapo.
As mudanças de nossa sociedade cada vez mais sobrexigente, modificou tanto homens e mulheres que se antes a compreensão era difícil, hoje nossa interação mesmo invadida por tantas formas de comunicação é cada vez mais confusa.
Os homens da atualidade nunca estiveram tão em contato com seu 'lado feminimo'. Abriram mão de sua 'ogrisse' e se sentem perfeitamente a vontade de usar um corretivo em plena luz do sol e sua pele, antes mais grossa e forte para aguentar as interpéries de sua função como homem, hoje pode ser mais macia que a sua.
E nós mulheres buscando nosso lado masculino, nossa agressividade, nossa independência tanto financeira quanto emocional, vestimos calças e usamos tênis. Sob protestos algumas vezes, tenho que dizer.
Porém, há uma visão distorcida dessa mudança.
A história infantil mais se parece com uma princesa que teve de rasgar seu vestido para descer a torre sozinha, se esconde esperando o príncipe chegar para pelo menos ele matar o dragão. O príncipe chega, não mais em um cavalo branco, já virou um gateado mesmo, manco e velho. O príncipe se assusta tanto quanto a princesa com o dragão. E agora, minha amiga, sua estória poderá ter três desfechos principais. A primeira é que ele vai embora, porque afinal de contas há de haver outra princesa de mais fácil acesso. A segunda é você respirar fundo e ajudar seu príncipe a matar o dragão e rezar para o resultado ser positivo. E a terceira é você ser a felizarda e seu príncipe ainda ser aquele, apesar de não mais com seu cavalo branco, o que mata o dragão e vem te resgatar! A parte de te salvar na torre, já está querendo demais!
Deixando a questão metafórica e filosófica de lado, voltemos a nossa realidade! O cerne da questão hoje é mais uma confusão de valores do que de papéis para homens e mulheres. A preocupação excessiva com o 'eu' está sendo confundida com egoísmo. Mas afinal, ainda vivemos em sociedade, lembra? A bandeira levantada de que não posso fazer nada que me agrida confundida com a total e completa falta de respeito com o outro. A sensibilidade das pessoas não significa que você tem em sua testa a frase 'eu sou confuso'. E não, não é só você que importa! As pessoas hoje se preocupam mais com a reciclagem do lixo e a preservação do planeta do que com a reciclagem e preservação de relações humanas. Se angustiam mais em descartar plástico do que em descartar pessoas. Sentimentos banalizados porque é tão fácil dizer, mas onde foi parar o sentir? O sentir foi normatizado e os sentimentos modulados. Eu gosto, eu amo, eu sinto saudade... não, não, não, ainda é muito cedo para eu sentir essas coisas. Eu gosto, eu amo, eu sinto saudade... na verdade não é nada disso, mas o que que tem? Que mal eu dizer isso fará para mim?
E no meio a toda essa confusão, nós mulheres ainda queremos a mesma coisa. O velho e obsoleto sentimento de proteção. Ainda queremos a nossa Fera ou o caçador quem vem nos salvar do lobo mau!
O que me leva a pensar que a espécie humana estaria rumando a extinção se não fossem as pessoas (mais sábias?) que não pensam em nada disso e assim garentem a nossa sobrevivência.
O mundo das pessoas pensantes virou o mais caótico dos mundos! E você ainda se acha inteligente... pois é! Vejo aqui duas opções. Uma mudança nos padrões de literatura infantil com abolição completa dos contos de fada ou...
Homens! Por favor, devolvam nossas maquiagens e voltem a ser homens com H (maiúsculo, enfatizo!). E você, querida amiga Bela Adormecida, acorda! E vai viver a vida!
Afinal, o que vocês querem?!
sexta-feira, novembro 12, 2010
O Fim
Eu abri a porta e você entrou.
Uma brincadeira de Orkut como pretexto para um reencontro. Uma ligação, deitada no chão do meu apartamento vazio, uma música do Led ao fundo. Qual era a a música?
Lembra que eu recém tinha saído da casa de meus pais, nem sofá tinha. Fogão emprestado do meu tio. Sem ele.. nossas jantas. As taças de 'sapinho', os copos de plástico, dois pratos, velas e nós bastava.
Lembra a cama que parcelei em 10x, atrasei parcelas, ela era nosso mundo. Mas nem a cama de solteiro era tão ruim assim. Dormíamos no espaço de um.
Lembra nós sentados na poltrona, eu em seu colo, rindo. Ríamos de que? Então você disse: eu te amo e eu gargalhei. Você não se importou e riu comigo. Rir juntos era talvez o nosso melhor.
A Valsa da minha formatura, a chuva de prata, pra você eu era a mais linda, simplesmente porque eu era sua.
Lembra o show do Nenhum de Nós, o empréstimo que fizemos, o pensamento, ah, depois pagamos.
O Cassino no inverno, nosso acampamento, a rede que você colocou em cima do córrego para eu dormir ouvindo o barulho da água.
Os almoços de domingo no meu plantão.
A paixão por LOST.
Lembra quando fomos a praia e eu dormi a tarde toda no carro, cansada e você ali, ao meu lado. Sem reclamar.
Lembra como chorei quando cheguei em nosso apartamento novo e todas as coisas estavam empilhadas, não tinha nem onde passar. Deitei na cama e você como sempre conseguiu me confortar e tornar aquele lugar em nosso. Até paredes pintamos. Ainda lembro os tons de verde.
Os planos do nosso casamento, na beira do lago, um dia lindo de primavera.
Eu lembro que com você eu podia ser criança e sempre me sentir mulher. Lembro como amava meu corpo, mesmo com suas imperfeições.
Lembro de fazer amor ouvindo Janis Joplin e me apaixonar de novo.
Mas a vida veio e nos mudou e os planos se afastaram. A mágoa nasceu invadindo o que antes era tão simples. As taças se quebraram..
Quando você foi viajar a última vez, eu sabia o fim. E parte de mim não queria que você fosse, lembra? Chorei, implorei, não vá! E vê-lo descer as escadas..
Coloquei todas as suas coisas em caixas de papelão. Que confusão, nós misturados em objetos, coisas que não sabiam se eram suas ou minhas. Eram nossas, afinal. Pensei em meu pai. Lembrei ele tirando seus livros também entrelaçados ao de minha mãe da estante. Eu criança, espiando, escondida. Telespectadora de uma vida a dois que chegava ao fim. E agora era minha vez.
Trouxe os móveis sob medida para um outro lugar, onde eles não se encaixam. Sentei em frente ao meu novo prédio, verde, coincidência e chorei, solucei, chamei atenção das pessoas. Eu sempre tão contida não consegui esconder minha dor, minha perda. O sentimento de derrota.
Não lembro nossas últimas palavras. Não sei quando a dor passou, nem quando parei de te amar.
Mas sei que fechei a porta.
segunda-feira, novembro 08, 2010
O lápis e a borracha
Se as escolhas da vida fossem tão simples como um lápis e uma borracha, nada mais faltaria. Escreveria minhas escolhas com a tranquilidade de que a borracha está ali ao alcance. Não funcinou, apaga, simples assim. Eu te desenharia e apagaria até ficar de meu gosto. Tuas palavras escritas, quando necessárias, apagadas, fácil assim. Meus erros, apagados. Teus erros apagados. As discordâncias, ah, só uma questão de concordância. Brigas... nada que uma mudança de pontuação não resolva. Desentendimentos viram perfeitamente entendidos com uma simples questão gramatical. Nossa língua é vasta. Um pretérito imperfeito pode virar mais do que perfeito. E o que é um posso inventar um coletivo. As dúvidas... aquele ponto ansioso de interrogação substituído pelo enfático ponto de exclamação! Precisaria mais uma caneta vermelha, para coisas eternas, sem direito a volta. E um marca texto para enfatizar o importante, o que não quero esquecer.
Conclui depois que assim como a vida, o apagado deixa sua marca, mesmo que se escreva em cima. É como uma cicatriz. Reescrever não apaga o apagado, camufla, mas ele está ali te provocando. E tal como um texto, um poema, um livro, não pode ser despido de sentimentos. E você é muito mais fascinante que o você que eu criei. O imprevisível é tão mais que o seguro. Os encontros só o são pela experiência do desencontro. O amor escrito só é entendido porque podemos senti-lo. O toque, o abraço, o beijo, os cheiros...
Entendi que se eu pudesse apagar tudo o que eu gostaria perderia tanto de mim e perderia tanto de tudo. Seria como escrever uma vida sem leitores pra ler.
Ainda bem que não te criei. Posso te colocar em minha caixinha de memórias e não poderei passar a borracha. Ou posso segurar tua mão e te convidar a escrever parte de nossas vidas juntos. Afinal ter escolhas é no fundo o melhor da vida.
Uma vida escrita em um papel se rasga, uma vida vivida se realiza. Quando a dois se eterniza.
segunda-feira, outubro 11, 2010
Thoughts
Eu sei que existe um lado masoquista em nós, mas alguns chegam a extremos. Hora de se desvincular. Não to conseguindo..
Lado Negro
Há palavras que não quero escutar
Decisões que prefiro não tomar
Caminhos que não quero percorrer
Frases que não quero ler
Momentos que desejo não lembrar
Pessoas com quem não quero conversar
Algumas nem quero rever
Outras quero apagar
Quero me desapegar
Tantas coisas que não quero renunciar
Lugares que não quero voltar
Mensagens que quero deletar
Fotos que quero rasgar
Situações que não quero enfrentar
Segredos que não quero compartilhar
Fatos da tua vida que quero desconhecer
Portas que prefiro não abrir
Mágoas que quero abandonar
Saudade que só quero ver partir
Medos que querem me paralisar
Idéias que quero abortar
Manhãs que não quero acordar
Dias que não quero viver
Noites que só quero dormir
Instantes que quero ver passar
Responsabilidades que não quero ter
Dores que não quero sentir
Perdas que não consigo suportar
Páginas que quero queimar
Pensamentos que não me largam
Neuroses que me atormentam
Ai de mim, se eu pudesse me programar
Fechar os olhos, hibernar
Queria tanto saber me sabotar
Fingir um mundo que não é meu
Me esquecer por apenas alguns segundos
Escuto a minha voz que sempre fala
Tem coisas que não há escolha!
Quando a minha cabeça deveria dizer, cala a boca!
Eliana Westrupp
Decisões que prefiro não tomar
Caminhos que não quero percorrer
Frases que não quero ler
Momentos que desejo não lembrar
Pessoas com quem não quero conversar
Algumas nem quero rever
Outras quero apagar
Quero me desapegar
Tantas coisas que não quero renunciar
Lugares que não quero voltar
Mensagens que quero deletar
Fotos que quero rasgar
Situações que não quero enfrentar
Segredos que não quero compartilhar
Fatos da tua vida que quero desconhecer
Portas que prefiro não abrir
Mágoas que quero abandonar
Saudade que só quero ver partir
Medos que querem me paralisar
Idéias que quero abortar
Manhãs que não quero acordar
Dias que não quero viver
Noites que só quero dormir
Instantes que quero ver passar
Responsabilidades que não quero ter
Dores que não quero sentir
Perdas que não consigo suportar
Páginas que quero queimar
Pensamentos que não me largam
Neuroses que me atormentam
Ai de mim, se eu pudesse me programar
Fechar os olhos, hibernar
Queria tanto saber me sabotar
Fingir um mundo que não é meu
Me esquecer por apenas alguns segundos
Escuto a minha voz que sempre fala
Tem coisas que não há escolha!
Quando a minha cabeça deveria dizer, cala a boca!
Eliana Westrupp
domingo, outubro 10, 2010
Amelie Poulain
"São tempos difíceis para os sonhadores..."
A felicidade ainda está nas coisas simples da vida:
Uma música que parece escrita pra ti, ouvi-la bem alto.
Sorriso matinal de quem se gosta, café com leite
Mãe, pai e irmãos
Chorar, gargalhar
Andar de mãos dadas, dormir junto
Cantar mesmo desafinada, dançar do seu jeito
Reencontrar um amigo, ganhar um novo amigo
Silêncio não constrangedor, conversa sem fim
Chop, uma torre de chop ou apenas uma taça de vinho
Um bom filme, até um filme razoável
Experimentar uma comida nova, sempre amar sorvete
Viajar, redescobrir velhos lugares
Uma escadaria, um papel de parede
Uma roupa nova, aquele pijama velho
Correr 10km, dedicar o dia a preguiça
Uma lembrança, um segredo, uma confidência
Álbum de fotos, cartas de amor
Um beijo de carinho, um beijo de desejo
Se apaixonar, se descobrir e se reinventar
Fazer planos, sair sem destino
Um sonho, um delírio, uma utopia
Um desafio, uma conquista
Perder 2kg, deleitar-se, ah a gula!
Ler um livro, reler os bons
Andar descalça, dormir nua
Uma paixão, um amor pra toda vida
Cheiro de mãe, de chuva, cheiro dele nos lençóis
Uma expectativa, uma certeza
Um dia de sol, banho de mar, barulho das ondas
Rir de si mesmo, fazer caretas no espelho
Ser constante, ser contraditório
Amar, saber-se amado
Calar-se, mostrar-se e brincar de poeta!
Ter saudade de um tempo que não volta mais e ânsia pelo que ainda está por vir.
Eliana Westrupp
A felicidade ainda está nas coisas simples da vida:
Uma música que parece escrita pra ti, ouvi-la bem alto.
Sorriso matinal de quem se gosta, café com leite
Mãe, pai e irmãos
Chorar, gargalhar
Andar de mãos dadas, dormir junto
Cantar mesmo desafinada, dançar do seu jeito
Reencontrar um amigo, ganhar um novo amigo
Silêncio não constrangedor, conversa sem fim
Chop, uma torre de chop ou apenas uma taça de vinho
Um bom filme, até um filme razoável
Experimentar uma comida nova, sempre amar sorvete
Viajar, redescobrir velhos lugares
Uma escadaria, um papel de parede
Uma roupa nova, aquele pijama velho
Correr 10km, dedicar o dia a preguiça
Uma lembrança, um segredo, uma confidência
Álbum de fotos, cartas de amor
Um beijo de carinho, um beijo de desejo
Se apaixonar, se descobrir e se reinventar
Fazer planos, sair sem destino
Um sonho, um delírio, uma utopia
Um desafio, uma conquista
Perder 2kg, deleitar-se, ah a gula!
Ler um livro, reler os bons
Andar descalça, dormir nua
Uma paixão, um amor pra toda vida
Cheiro de mãe, de chuva, cheiro dele nos lençóis
Uma expectativa, uma certeza
Um dia de sol, banho de mar, barulho das ondas
Rir de si mesmo, fazer caretas no espelho
Ser constante, ser contraditório
Amar, saber-se amado
Calar-se, mostrar-se e brincar de poeta!
Ter saudade de um tempo que não volta mais e ânsia pelo que ainda está por vir.
Eliana Westrupp
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